Ministério vai usar Copa das Confederações, no ano que vem, como 'teste'. Taxistas e guias turísticos deverão tomar vacina contra sarampo e rubéola.
O Ministério da Saúde está planejando ações para prevenir
surtos de doenças nas seis cidades-sede da Copa das Confederações, no ano que
vem, e nas 12 capitais que vão abrigar os jogos de futebol da Copa do Mundo, em
2014.
Segundo o secretário-executivo adjunto do ministério,
Adriano Massuda, que coordena as reuniões sobre esses dois eventos esportivos,
os trabalhos começaram em maio do ano passado, e a Copa das Confederações será
um "teste" em todos os sentidos, inclusive na área da saúde. Esta
semana, o grupo se encontrou em Salvador.
"Estamos nos baseando em experiências anteriores, tanto
de Copas do Mundo quanto de Olimpíadas. Cada cidade-sede terá pelo menos um
hospital público de referência, mais ambulâncias do Samu (Serviço de
Atendimento Móvel de Urgência), UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e leitos
hospitalares e de UTI (Unidade de Terapia Intensiva)", enumera.
Em São Paulo, os dois hospitais escolhidos foram a Santa
Casa de Misericórdia e o Santa Marcelina. No Rio, foram o Albert Schweitzer e o
Miguel Couto. Essas instituições e as das demais cidades-sede da Copa do Mundo
– Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Recife, Brasília, Curitiba, Porto
Alegre, Natal, Cuiabá e Manaus – devem passar por reformas, ampliações e aquisição
de novos equipamentos, segundo Massuda.
"Eventos esportivos, em geral, têm um aumento no
consumo de álcool e drogas, na incidência de traumas, fraturas e cortes, de
diferentes maneiras – desde acidentes no trânsito até brigas. Vai ter a torcida
argentina, então também temos que estar preparados para isso", afirma.
O secretário esclarece que toda assistência no estádio e no
entorno será de responsabilidade do comitê organizador da Copa. Dali para fora,
a atribuição é do governo. Apesar disso, haverá profissionais das secretarias
municipais dentro dos estádios para atuar quando for preciso.
Doenças e vacinação
No caso das possíveis doenças decorrentes de aglomerações de
pessoas, o secretário explica que o foco estará concentrado em problemas respiratórios,
como o vírus H1N1, gripes e resfriados, além de doenças sexualmente
transmissíveis (DSTs), como HIV e hepatites.
"Vamos atuar em conjunto com outras áreas, como
segurança pública e direitos humanos – neste caso, contra o turismo sexual.
Também faremos distribuição de camisinhas, teste rápido de HIV e incentivo à
atividade física. No dia 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, vamos ter um grande
ato em todo o país", antecipa Massuda.
Outro problema que preocupa o ministério é a dengue, pois,
apesar de o inverno ser um período de menor incidência, ela já é endêmica em
algumas cidades. Apesar disso, segundo o secretário, eventos esportivos desse
porte não têm grande risco de surtos contagiosos, pois o público que virá, em
geral, tem alto poder aquisitivo e seguro de saúde.
Para os trabalhadores que vão lidar direto com os turistas,
o governo prevê vacinação contra sarampo e rubéola. Entre os profissionais,
estão taxistas, funcionários de hotéis e restaurantes, voluntários, guias e
responsáveis por informações turísticas. Esses grupos devem tomar as doses pelo
menos 30 dias antes do início da Copa das Confederações, no dia 15 de junho do
ano que vem.
Já os turistas do Brasil e do exterior que forem para
cidades do Norte e do Centro-Oeste precisam se vacinar contra a febre amarela.
Smartphones e
treinamento do SUS
Uma novidade já para o ano que vem é que os profissionais da
saúde que trabalharem durante a Copa das Confederações nas cidades-sede de
Curitiba, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Belo Horizonte e Brasília vão poder
notificar doenças por meio de smartphones que ainda estão sendo desenvolvidos.
"Até fevereiro, todas essas cidades devem apresentar
planos de ação em saúde para o evento", afirma Massuda.
Enquanto isso, profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS)
das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 estão sendo treinados. Em
setembro, o foco foram os desastres naturais, e no início do ano que vem o tema
será gestão de emergências.
A próxima reunião do grupo de trabalho do ministério será
ainda este mês, em Cuiabá.
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